sexta-feira, 18 de setembro de 2009

TuDo e NaDa

Ouvem-se já de perto as longas conversas do tempo, na velha taberna dos vencidos assiste-se á ignorancia dos inteligentes, criam-se novas tabuas.
Nos miasmas purpuras do limbo assisto ao romper da aurora, almas vagueiam sem destino, o ocaso da antimatéria alinhase figurando-se á realidade
Abrem-se os portões enormes e enferrujados, rangem avidos da tua entrada, abre-se o interior da noite onde os versos se fazem á tua chegada.
Ouvem-se, ao abrir da madrugada os cantares longinquos da opera nocturna, rio-me contigo amigo, no meio desta imensa cidade que dorme e fumega
Vai-se despindo na pura natureza, desterrado, a miragem eleva-se no esfumar do nunca, é o país do regresso, o ultimo status virtual
A proxima palavra, a expriência do nada, a pedra comum, uma nova rajada, a corrente de som, a próxima paragem, a queda do tom, tudo e nada..

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

CAPITULO nono do conto

Eu habito estas longinquas montanhas desde o tempo que ainda não havia tempo, é este o último reduto, é aqui que todos os dias o ciclo se completa e se renova com a força plena. Eu habito estas longinquas paragens desde que a imaginação ainda não tinha sido imaginada.
Que tempestade enorme hoje, raios e trovões e ela pinta a luz destes relampagos anunciadores, pinta a própria arte, ele avista dois seres humanos ao longe, que rara visão, vinham em busca do mar, só alguem que anda em busca do mar poderia chegar aqui, é que o mar não tem fim assim como o pensamento. Ele respondeu-lhes que para chegar ao mar teriam de ir sempre pelo mesmo caminho, ela que todos os caminhos são os caminhos para o mar.

CAPITULO oitavo do conto

A fruição artistica de Maria tornara-se intensa, o conhecimento da sociedade citadina em contraste com a liberdade conquistada nestas paragens tinham feito dela uma criadora. Seu irmão cresceu ali com o avô, esse velho dançarino da montanha, morreu sorrindo. O neto e o moleiro abreviaram o trabalho da terra, incineraram o corpo e colocaram as cinzas num pote de barro feito pelo defunto em vida para esse mesmo efeito, colocaram o pote funebre e a velha guitarra numa camara feita com lages ao alto á qual taparam com terra e pedras brancas formando um monticulo consideraval á maneira dos antigos reis. Repousa agora as cinzas desse antigo velho do blues no alto de um cabeço bem redondinho, o espírito, esse deve continuar nas suas viagens entre a eternidade e Deus.