quarta-feira, 5 de novembro de 2008

SEGUNDO CAPITULO do conto

Não lhe apetece vestir, gosta de vaguear nua pela floresta, sentir a natureza tocar-lhe e nela se diluir, sente-se como Eva antes do pecado original. Vive numa casa antiga de pedra xisto, antigo palheiro que estava quase a cair e que ela própria recuperou com a ajuda de Cristo seu irmão que vive noutra casa pedregosa das redondezas. Maria escreve poesia e contos, pinta quadros á luz da tarde e sonha, sonha deitada na erva e nas flores primaveris dos lameiros e vales profundos das montanhas, monstros verdes e intransponíveis para toda uma sociedade que se degladia diariamente por um punhado de metal, papel ou plástico. Não compreendendo tais sarilhos nem sabendo como agir em tal mundo, Maria decidiu retirar-se de tal sítio e dedicar-se a viver ao sabor da brisa da bem-aventurança, já nem sequer se lembra quem é o excelentíssimo senhor Presidente da república, quando Joana a visitou, amiga de infância, e lhe contou o que se passava em tal mundo distante, Maria não entendia diversas coisas e nem sequer percebia as razões de tais dificuldades e complicações, pois a vida que Maria conhece já não é mais essa vida escura, envolta em fumo de veículos.

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